sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Portugal


Portugal

Fomos o capitão do mundo
com barcos    caravelas
de madeira frágil
com homens de ferro
destemidos
ultrapassámos barreiras
passámos tudo e todos

Bailes se faziam
numa Europa    pequenina
com Portugueses
a mostrarem a sua bravura
onde a língua portuguesa
era rainha e senhora

Hoje!    Sim hoje!
somos apenas
homens de madeira
em navios de ferro
inexistentes

Onde está a nossa marinha
de antanho?
Os nossos marinheiros
bravos marinheiros?

Hoje!    Sim hoje!
onde está o Rei de Portugal?
Soterrado!    Diz Camões
no seu sepulcro

Ah!    Sim!
Temos Portugal
no mundo
Na Europa
com governos dementes
Com homens de sorrisos falsos
fanfarrões...
Nós somos Portugueses
dizem eles
Outros envergonham-se
da sua Pátria
da sua bandeira...

Sejamos o que for     a Bandeira
é sempre a nossa Bandeira
O Hino o mais belo que possuímos
e devemos amar
A Pátria amarfanhada
deve ser amada
como um filho
ama o seu pai
mesmo desonrado

Mas amanhã!    Sim amanhã!
A História repete-se
E então sim
Teremos um povo nobre
de cabeça erguida
Uma Pátria que sofreu
as amarguras
Será uma pátria honrada!
Com os futuros navegadores
com um Povo
que erguerá bem alto
a sua grandiosa Bandeira
e dirá
VIVA PORTUGAL!

Pedro Valdoy

Mãe


Mãe

Mãe
Sentia-me bem
no aconchego de teu corpo
Ouvia os teus sorrisos
as tuas esperanças

Mãe
Deixaste-me vir ao mundo
para um futuro risonho
para a saudade dos tempos
para uma infância alegre

Momentos inesquecíveis
passámos juntos
E eu era um bebé perfeito
e vi sorrir-te
O pai amparava-te
coberto de felicidade

Lembras-te
que me levavas
para todo o lado
com o máximo carinho?

Cresci e tua felicidade
na imensidão de um futuro
desconhecido
correu bem

Só queria a tua companhia
chorava quando ia
para o colo de estranhos
e tu sorrias

Eras a mãe
mais bonita do mundo
sentias-te vaidosa
quando me davas a mão

Voltei a crescer
adorei ir contigo
ao Jardim Zoológico
e o pai sorria

Tornei-me grande
a felicidade reinava
no nosso lar
com o Natal sempre
recheado de surpresas

Mas um dia
dia de Inverno
O frio cobria
o manto de felicidade
interrompido
pela tua partida.

Pedro Valdoy

A Genialidade de uma Melodia


A Genialidade de uma Melodia

Beethoven só tu me enterneces
com o magnífico concerto
que ultrapassou as trevas
com tanta beleza

Sinto lágrimas de alegria
com tanta beleza etérea
que transforma minha alma
tão doloroza mas agora feliz

Sinto o canto do piano
sinto a paixão  das tuas notas
onde só te me fazes sentir a felicidade
com tuas notas que me tornam louco

Escorrem lágrimas de felicidade
com a maravilha dos teus concertos
que elevam minha alma

Tuas melodias no encanto da natureza
fazem florescer a alegria
com pétalas maviosas
que ultrapassam os séculos

Pedro Valdoy


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Feitiços


Feitiços

No feitiço da Lua
ando embriagado
com três vinténs
comprei o amor

de moçoila arrebitada
tentativa arrebatada
passou pelo meu berço
de corpinho anafado

Saltou da lareira
um fustigo de desejo
Por terras do além
fui pousar em cima dela.

Pedro Valdoy

Fado


Fado
(A Amália Rodrigues)

O veleiro do fado
navega por águas de Portugal
na tristeza de um povo
no desaparecimento de uma fadista

Amada e relembrada
reconhecida em todo o mundo
com cantigas tristes
de elevado valor
com o sentimento lusitano

Para a imortalidade
merecida virtuosa
com o choro de uma guitarra
no passeio pelo Universo…

Pedro Valdoy 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Poesia?


Poesia?

Acabou a poesia? Temem os poetas?
Na fragilidade dos amenos campos
no fulgor das rosas e papoilas
sorridentes nas suas pétalas
de abelhas no amor do néctar

Nas ondas do mar palreiam
gaivotas no suave bater de asas
nos confins dos oceanos
no salgar das ondas perpétuas
a beijar suavemente as praias

O amor perene dos tempos
perpassa incógnito pelas veredas
dum chilrear ameno por encostas
no jardim da fantasia multicor
no recordar duma poesia renovada

Que continuará pelos céus dos séculos
na teimosia de uma nova era
com novos poetas ressurge
a mensagem ou a metáfora.

Pedro Valdoy

Carruagem


Carruagem

A carruagem sentimental
transportava o poeta
por carris emoldurados
cobertos de ingenuidades

Transpunha o luar
na penumbra esquecida
de uma noite serena
nas ondas irrequietas

Eram lírios os poemas
saídos da magia
de mãos trémulas
na secura do tempo

Pétalas enchiam as folhas
no pedestal esquecido
na intempérie desejada
em gotas de uma simples caneta.

Pedro Valdoy

Entre o Inverno e a Melodia


Entre o Inverno e a Melodia

Era Inverno
A chuva entoava sons
na vidraça em lágrimas
da sala campestre

A sonoridade aquecia
a minha alma irrequieta
através do concerto
de Beethoven

Os acordes do piano
vagueavam como moléculas
no ciberespaço da tranquilidade
com o acompanhar da orquestra

O meu corpo estremecia
de emoção ao calor da música
com notas brincalhonas
numa discussão aparente

O piano entoava a canção
a orquestra refilava
Às tantas o desencadear
da discussão entre os dois

A maravilha em toques sonoros
deambulava entre os livros
da estante na quietude
de um silêncio ultrapassado.

Pedro Valdoy

A Montanha


A Montanha

Na montanha agreste
a solidão sentia-se nas árvores
no desfolhar do Outono
por folhas secas douradas

No pico a águia voava
com as asas de uma rainha
na eternidade serena
nas alturas cobertas de nuvens

Na maravilha do vale
transparecia a beleza
da pequenez que se via
no repasto das ovelhas

A tranquilidade sentia-se
no embalar da natureza
no despontar de um rio
com um percurso sereno.

Pedro Valdoy

Palavras de Amor


Palavras de Amor

Palavras sonoras
sentiam as sílabas
dos homens poetas
por montes na suavidade
em busca do amor sereno

Grutas na beleza
em caminhos no lirismo
de rampas desconhecidas
por entre o arvoredo
na eternidade do amor

Na vaidade dos tempos
Sentem-se os fios sensuais
no campo dos versos
por nuvens alvas
por um amor desconhecido

Serão os beijos com sua beleza
Na serenidade da nudez
por caminhos incertos
de carros com a sua beleza
para  o amor

Perdido nas águas
por lampejos de ternura
saltam as rãs de contentamento
nos beirais procurados
por um amor submisso?

Na escuridão do ano
os desejos aumentam
no silêncio nocturno
de espelhos vaidosos
Estará o amor em saldo?

Pedro Valdoy

Recordação


Recordação

Rodeados pelo amor
por entre roseirais
dois amantes passeavam
na manhã Primaveril

Recordavam um passado
com o primeiro beijo
afoito e respondido
se sentiram como duas avezinhas

Por tempos passados
de um conhecimento
imprevisto mas sólido
sentiam o chilrear dos pássaros

Agora no esquecimento
Dos anos perdidos
continuaram a amar
através do Outono da vida.

Pedro Valdoy

Esta Noite Sonhei


Esta Noite Sonhei

Esta noite sonhei
que eras uma princesa
e voavas num trenó
recheado de esperança
por um amor renovado

As estrelas brilhavam
no firmamento tremeluzente
e bailavam à tua volta
acenaste-me
com teus beijos sensuais

Um novo trenó
veio buscar-me
côr de púrpura
puxado por renas
e voámos à tua procura

A dança dos trenós
soava no etéreo
enquanto as nuvens
levadas pelo vento
saltitavam alegres

Passámos por montes e vales
cobertos de esplendor
pelo teu vestido de princesa
que ondulava ao vento
com teu sorriso Primaveril

Despertei do sonho
o quarto estava aromatizado
com teu perfume
que sempre me perturbou
no despertar irrequieto

Acenaste-me à porta
com teu sorriso peculiar
numa despedida
na suavidade dos tempos
depois senti a tua ausência.

Pedro Valdoy

Natureza


Natureza

As forças da natureza
aspiram o ar coberto de anémonas
pela virtude da força celeste

Sente-se o hálito do amor
pela lentidão das nuvens
num esvoaçar gentil

As pedras do silêncio
sentem-se no calor da noite
no zumbido de uma mosca

São ventos de areia
no desencadear dos dias
na calamidade desejada

Pelo Sol no brilho do ser
transvasa a quietude
de uma flor em sossego apagado.

Pedro Valdoy


domingo, 22 de setembro de 2013

Papoilas


Papoilas

As papoilas mergulham
através do meu ser
exausto de paixões
por um amor desconhecido

A nudez do teu corpo
leva-me para sonhos
despedaçados de algo
no teu olhar sorridente

A perturbação inquieta-me
em mares revoltos da incerteza
pelo amor ou desamor
de sonhos antigos.

Pedro Valdoy

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A Andorinha


A Andorinha

A andorinha cansada pelos ventos
pousa solenemente no antigo ninho
de uma Primavera enriquecida
pelas rosas solidárias com os dias

A andorinha voou pelos tempos
na calamidade esquecida
na tempestade requintada
apaziguadora solene

As crianças ingénuas
num suavizar de asas esquecidas
aprendem hoje para o amanhã
autênticos actos familiares

A andorinha da noite
no seu retiro nupcial
sonha com outras terras
na similitude de eras esquecidas.

Pedro Valdoy